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segunda-feira, 29 de março de 2021

Os javalis da Páscoa! Mais uma espera em Casal Valentão

 (2021/03/27)

Ao longo dos anos tenho escrito sobre este local mágico do sopé da Serra d`Aire, onde tenho tido o privilégio de caçar aos javalis já há mais de 20 anos. Muitos lances ali tenho vivido, e muitas recordações ali tenho somado, de bichos avistados, e outros que acabo por conseguir caçar.

No passado sábado e após um período de vários meses sem conseguir fazer esperas, lá voltei ao Casal Valentão. O local onde realizo as esperas não mostrava sinais "demasiado" evidentes dos "bichos" e a falta de oportunidade para realizar observações mais detalhadas não reforçava a confiança na decisão, por isso a expectativa era relativamente moderada.

Chego por volta das 18 horas, ainda de dia, e instalo-me o mais confortavelmente possível. Logo quase de seguida cantam os melros antes da "deita". E surge logo depois a lua arredondada no horizonte, afinal era véspera de lua cheia. Os cães do casario denunciam cedo os movimentos da raposa, assim que descem da Serra, e se acercam das imediações, bem como possivelmente dos javalis mais famintos, que de imediato desencamam e procuram a comida antes dos grandes machos, ou de varas mais numerosas.



Logo desde o lusco fusco pode entrar ao cevador algum javali, e eu sei o bem. Por isso, o alerta é máximo desde esse momento de maior actividade dos bichos. E foi mesmo assim, logo após o cair da noite, cerca das 19:30h detecto um pequeno ruído, que não o do mato embalado pela aragem do cair da noite tão sistemático por ali. Na maior parte dos dias, é local sempre um pouco ventoso neste período, mas sossegando depois com o avançar da noite. Procuro com afinco, a olho a nú, qualquer movimento, ou forma que denuncie algum "meliante" vagueador e oportunista... e pouco depois dou mesmo com ele. Vislumbro-lhe a forma meio encoberta pelo mato circundante á clareira onde coloco o seu alimento predilecto, milho, e o movimento do focinho esbranquiçado. Pareceu-me um jovem macho pelo perfil arredondado e diria que pelo pequeno "canivete" de ponta branca, que lhe descontinuava a linha superior da boca. Sem dúvida era um jovem macho. Apesar de tudo, num de repente recolhe completamente ao mato e por largos minutos, por mais que o tentasse ver...foi-se mesmo sem se despedir, ...como um fantasma. Que azar, penso para mim. Este "servia-me" bem o desejo de voltar a matar um porquito e chegaria a casa ainda cedo para a habitual "adiafa" de esfolar e amanhar. Mas é assim, nem todos se mostram, e por isso é que os javalis estão e ascensão como espécie. O seu "sexto sentido" alerta-os para perigo eminente e são muito desconfiados mesmo. Pode ser que volte, ou surja outro... volto a pensar para mim na claridade de uma noite de pouco breu, o que sendo bom para o caçador, não é nada boa (por experiência) para os bichos se mostrarem. Nestas noites de maior visibilidade tornam-se ainda mais desconfiados. 

Talvez por volta das 21 horas, o ruído típico do mascar do milho seco interrompe o silêncio do local, e avisto num dos pontos de comida uma mancha escura de tamanho pequeno junto ao cevador. Texugo? Aponto-lhe a mira e identifco de pronto, sem dúvida. Aproveito para treinar a observação, e ocupar a mente, entretanto a começar a divagar sobre a probabilidade de ter porcos naquela noite... local pouco vigiado nas semanas/dias anteriores, noite ligeiramente ventosa, muito clara, o primeiro javali não foi á comida, e foi embora, texugo a comer milho...indicadores que não me transmitiam a mais forte confiança. Enfim, mentalizava-me em desfrutar, e estabelecia já que se não surgisse nenhum javali até ás 22:30, 23:00h abandonaria o local.

Entretanto, o saciado texugo afasta-se vagarosamente, e desaparece.

Próximo das 22:30h "bato com os olhos" num javali a comer num dos locais de comida, ..., que surpresa boa! E logo quando estava quase a desistir. Coloco-o na mira mas decido aguardar um pouco, até confirmar se estarão outros por ali. Deixo passar não mais que 10 minutos, mas conclúo estar sozinho. Será um jovem macho (sem dentes mesmo) ou talvez uma porca. Penso para mim que depois de tantos meses sem fazer esperas, quero mesmo é atirar e trazer um porquito. Isto chocará os mais puristas "esperadores", apesar de o saber não me incomóda. Há dias para tudo. Decido apontar cuidadosamente, e depois premir o gatilho com toda a suavidade. A minha "velhinha" CZ 550, de ferrolho, em calibre 30.06, com 20 e tal anos destas andanças cumpre na perfeição, e por isso venero-a como no primeiro dia... o porco não saiu do sítio e  esperneia os últimos impulsos de uma vida de liberdade, e riscos, que termina ali para benefício da Humanidade. Sim, carne e troféu se o tiver. Só não aproveitarei a pele, e as vísceras.

Já confortado pelo "resultado", desperta-me a adrenalina, e o cansaço dá lugar á vontade de esperar mais um pouco. Entretido, a pensar na minha "sorte" passa-se perto de uma hora, e o vento remeteu-se ao mais calmo silêncio. Consigo ouvir agora um rato se se atravessar nas imediações, e ouço ainda melhor o que me parece ser o movimento de um bicho bem maior a acercar-se do local, consigo olhar por cima do meu ombro...e nas minhas costas vislumbro no mato reluzente de lua, o movimento de um "negro" que se move em zig zag, em modo de para-arranque, ora avançando, ora escutando... ainda assim chega em instantes á zona limpa do cevador e consigo concluir rapidamente tratar-se de um jovem navalheiro. Volto a colocar a mira, desta vez em cima do candidato a navalheiro e decido pelo tiro quase de imediato. Havia verificado ter chegado sozinho, e este sim, seria um macho. Faço soar novamente a CZ, e apesar de não ter ficado no sitío não lhe estimo mais de 20 ou 30 metros pelo estarrabaço no mato e pedras. Eram 23:30h. 

Penso agora para mim, que noite de sorte!

Deixo passar apenas uns minutos e decido arrumar a "torgia". Descarrego, recoloco a bala restante no carregador, de novo na caixa, e acondiciono a carabina carinhosamente no seu estojo. Dobro a "mantinha" que coloco sempre em cima das pernas, guardo uma gola do pescoço, que nestas noites ainda frias, dá ainda certo jeito e retiro um pequeno foco de mão, que coloco no bolso largo do casaco grosso que visto. Acabo por colocar a mochila ás costas, assim como o estojo da arma a tiracolo, descendo de forma segura o pinheiro onde coloquei o "assento".

Com curiosidade, aproximo-me finalmente das minhas "presas", e verifico que o primeiro era uma porca com cerca de 60 kg, e o segundo um jovem navalheiro com 3 ou 4 centímetros de navalha exposta, um pouco maior mas com não mais de 75/80 kg.

Restava-me agora a parte pior...fazê-los chegar á carrinha, e logo dois!


Mas a verdade é que estava de coração cheio, tinha somado mais uma boa recordação, e isso dá-nos sempre muita força. 


Grande abraço a todos. Boas esperas.

A Caça é uma paixão!


*com estes javalis atinjo 69 javalis cobrados na Serra d`Aire








 


      

       


      


          



   


   


  





sábado, 27 de junho de 2020

2020 06 26 - Espera Javalis em Casal Valentão, Serra d´Aire

Este é para mim um lugar mágico! 

Já o terei dito seguramente por várias vezes a muitos dos que me conhecem, durante as nossas conversas sobre Caça. Não por ter sido por ali que comecei a caçar aos javalis, mas porque as histórias que ali vou somando não têm felizmente fim, e tendem a acontecer com alguns "toques de mágica".






Quando planeei esta espera mais do que por um "bom" porco o objectivo era o de estrear uma mira de visão noturna e matar um "porquito". Não tenho feito esperas há largos meses, por opção, mas sobretudo a falta de tempo de chegar "a todo o lado".  Já lá vão os anos de 5, 6, 8, 10 ...noites de espera por mês.

Voltando à noite de ontem... cheguei cerca das 20:15h, perfeitamente de dia, e assim que me sento no posto, aberto, sobre um pinheiro, observo por mais de uma hora "os três porquinhos", três leitões que evitando a "concorrência" aproveitam a hora do dia. 




Por volta das 22h chega uma pequena vara onde 4 javalis de pequeno porte se mostram ávidos pelo milho, dentro de mato seguiam as "matriarcas" seguramente. 

Pensei para mim que serviam o propósito de "inaugurar" a mira, chegar cedo a casa, e descansar da semana. E assim fiz, faço um tiro "limpo" num dos porcos, praticamente todos iguais, e com cerca de 30-40 kg (minha avaliação visual). 

Boa! O porco ficou no sítio, permitia carregar sozinho, chegar cedo a casa, e seria um bom porquinho "para o petisco".

Aguardo alguns minutos que a vara disperse, e tendo passado já quase meia hora preparo o arrumar das tralhas e descer do pinheiro. Enquanto, dobro uma pequena manta, e a encaixo na mochila, sinto barulho de um porco a chegar, com ruídos que me dão a entender aproximar-se do local onde tinha atirado previamente. Como não tinha descarregado ainda, volto a mira nessa direcção e vou observando o local.

Já não tinha duvidas estaria um outro porco próximo do local de tiro. Vou aguentando na expectativa e a dado momento, já sobre as 23h, atravessa a "trotar" a cerca de 3-4 m do porco que estava já sobre o cevador um "vulto de navalheiro". Decido-me por novo tiro, quase instintivo, pois o porco não se imobilizou e... novo porco em cima do cevador. Para mim, seria um "navalheiro"! E a partir desse momento a ansiedade estava já no máximo.

 Aguardei ainda "algum" tempo, e só proximo de meia noite depois de arrumar e confirmar que não estariam mais porcos na imediação desci então para confirmar melhor os exemplares. O primeiro era uma porquinha com cerca de 40 kg, e o segundo um jovem navalheiro com cerca de 80 kg (!). Este último, um jovem macho com cerca de 2 anos, navalhas com cerca de 5 cm expostos, embora finas. 







O "resto" é o que voçês imaginam, entre ir buscá-los, esfolar, amanhar, e limpar e arrumar tudo já passava das 4h da manhã... os trafêgos habituais!

Quanto ao meu filho, e minha familía em geral, aos meus amigos, Paulo Carvalho, e Humberto Felicíssimo sinto me de facto um enorme "sortudo".

Obrigado pela ajuda!


Grande abraço a todos, e até um dia destes,

A Caça é um Paixão!  


Luís Ganhão Simões





*Com estes javalis atinjo 66 javalis cobrados na Serra d`Aire.     

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Fim e semana Tordeiro na despedida dos Tordos

(17 e 18 02 2020)

Como é hábito os ultimos fins de semana da época passam por caçar aos tordos na Serra D´Aire com alguns amigos. 

Este ano apesar de um dos piores anos desde que há memória no toca aos tordos por ali, não foi excepção. 

O fim de semana de 17 e 18 de fevereiro contemplou dois dias de caçadas e convívios, com os tordos em pano de fundo, e na envolvência dos Arrifes d`Aire, em Vale da Serra.













Grande abraço a todos,

A Caça é uma Paixão!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Tordos: “Herdeiros” dos Arrifes d`Aire!

(22/12/2019)


Sim, é brincadeira, mas em boa verdade é como me sinto, ao caçar nestes Arrifes milenares, os quais hoje em dia poucos conhecerão tão bem, e muito menos interpretá-los a nosso favor, e por isso poucos ali se aventuram a Caçar. Caçar ali de forma tão livre e longínqua faz me sentir um enorme priviligiado. Por ali se conseguem manhãs inteiras, e às vezes muitos dias, onde não se avista viva-alma, são locais de Caçador solitário, de beleza única, e enorme grandiosidade. 

A Serra d`Aire em si, e estes Arrifes dão abrigo e alimentação às hostes de Tordo que nos visitam de Inverno desde há muito. Conhecer os seus hábitos nestes terrenos, dependendo das condições climatéricas, dos ventos, e até da altura do ano, permitem fazer caçadas fantásticas, com densidades muito razoáveis, com lances de cortar a respiração, e com tanto de belo como de difícil. Por vezes, os cobros tornam-se o desafio “maior”, pela distância, pelo declive, pela muita pedra e mato entre nós e a zona onde terá caído o tordo, e é aí que os bons cães de cobro assumem uma importância fundamental. Para além dos factores que se conseguem controlar, existem aqueles que se procuram prever com o melhor conhecimento de cada situação, mas sentes que precisas sempre de uma boa dose de "instinto". Por isso, Caçar ali faz-te sentir ainda mais "Caçador".

Indo ao que interessa, está feita (ontem!) mais uma "Abertura" aos Tordos na minha terra, Pedrógão d`Aire, mais propriamente em Vale da Serra. Cacei mais uma vez sobre os Arrifes, local que adoro, e onde até me “emociona” caçar, como já perceberam. Ainda não tinha caçado aos tordos esta época e embora as previsões não fossem as melhores, a expectativa é sempre alguma. Há cerca de uma semana estiveram “cobertos” de tordos, mas o vento forte e tempo enxuto já os tinha feito mudar de zona novamente, ou seja não era seguramente dia de “fartura”. 



Cacei acompanhado do meu filho Luís, e que como sempre foi de uma ajuda preciosa, permitindo-me que atirasse a “altos, baixos e galeados”, com se diz por aqui, ou seja sem preocupação de distâncias e marcação de “porradas” (ou pelo menos éramos os dois a fazê-lo!). Levámos ainda duas das nossas Bretons para ajuda no cobro, a experiente Bolota, e a Nolita, que já iniciamos a época passado e que começa a antecipar-se nalguns lances. 





Cacei com os meus amigos habituais, José Pereira, Beto (Alberto Presume), e o Humberto Felicíssimo, com quem de véspera após discussão pormenorizada, acordámos na escolha dos terrenos, e julgo que acertámos e tirámos partido das condições. 

No final, e é isso que conta, fizémos mais uma jornada de caça para mais tarde recordar e a fazer sentir-nos verdadeiros "Herdeiros" dos Arrifes d`Aire!

Foi magnífico.

Grande abraço amigos,

A Caça é uma Paixão!

domingo, 14 de abril de 2019

Mais uma espera em Casal Valentão, Serra d`Aire!

(2019/04/13)

Desde Outubro do ano passado que não fazia esperas e desde Agosto que não matava qualquer porco de espera... de maneira que o desejo em conseguir fazer mais uma espera começava a "apertar". 

Inicialmente planeada para a passada 6ªf dado mais um compromisso de última hora adiei para sábado, e dadas as condições meteorólogicas, muito nebulado, e chuva miúdinha pensei mesmo que teria de adiar para o próximo mês... mais uma vez. 

No entanto, e embora não tenha palanque, nem mira de visão noturna, por descargo de consciência pensei em ir e tentar fazer pelo menos o cair da noite, e caso surgisse algum porquito "jeitoso" atirar enquanto se visse, ...e se a chuva deixasse.

E assim foi, ..., espera curtinha, ...surgiu um vara bem cedinho no cevador e decidi aproveitar! 

Uma espera agradável, e breve, a terminar com um disparo ainda antes das 21h, e antes das 22h já estava novamente em casa.

É assim, cada espera tem a sua história e esta, nisso, não foi diferente.
Quanto ao "porquito", desta vez uma porquita que não teria mais de 50-60 quilitos.



Agora vamos ver quando conseguirei a próxima...

Um abraço aos meus amigos e a todos os "esperistas", 

Luís Simões


*Com esta porca atinjo 64 javalis cobrados na Serra d`Aire.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Aos tordos na Serra d`Aire...

2019 02 09 - Caça aos tordos na Serra d`Aire

Num ano em que quase não cacei aos tordos, acabamos por fazer uma manhã fantástica, com uns "tordozinhos" bons, entre amigos, e por isso uma jornada fantástica para final de época a deixar-nos o "apetite" aguçado para a próxima.

A Serra d`Aire continua a ser um dos redutos do Tordo na zona centro que continua a assegurar boas caçadas ano após ano... e Pedrogão d´Aire uma das suas aldeias de referência. 




Desta vez visitaram-nos os amigos Vitor Presa, Tiago Couto e Ricardo Almeida, e pela boa disposição deixam-nos certos que temos de repetir no próximo ano!!!


Abraço amigos, foi de facto um dia muito agradável, foi um prazer Caçar convosco, até uma próxima,

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Tordos em vale da Serra

(2018 12 23)

Primeiro dia de Tordos em Vale da Serra!

Um dos locais para mim mais bonitos de caçar desde sempre, 
Caçar nos Arrifes da Serra d`Aire aos tordos pode ser um dia de caça fabuloso, entre a escolha dos locais, os mais variados lances de tiro, os cobros difícieis (local onde os cães são mesmo necessários!) ...e tudo inserido na magnífica paisagem da Serra d`Aire.

(Com os meus amigos Beto e Humberto com quem fiz esta manhã de Caça aos Tordos) 

(Ainda pouco rotinado nos tiros aos tordos, errei muitos logo de manhã, ...e por isso os 18 "tordinhos" desta vez souberam a pouco.) 

Uma manhã muito boa para primeiro dia de tordos. 
Ainda que eu, um pouco "preso" nos tiros, e a errar alguns tordos "fáceis",  a Bolota e a Nolita de Pedrógão d´Aire, estiveram irrepreensíveis e não deixaram um único tordo no mato!  


(O Humberto com a sua "máquina" de cobro, o Perdigueiro Português "Pirolito" que é um referência por ali,...e atenção que também apanha os dos outros! ;-,) 

(Com um grupo de amigos e grandes Caçadores de Alqueidão, com quem já cacei muitas vezes no passado, e que é sempre um prazer rever! E como a vida não pára, e não é só recordar, no próximo Domingo ficou já combinada a Caçada em conjunto... e almoço em Alqueidão!)


Fica o registo de mais uma caçada aos tordos, entre amigos, num local que me continua a dar um prazer imenso Caçar, com os meus cães, ...e sobretudo com Caça em estado "puro"!


Grande abraço amigos, Boas caçadas, Bom Natal e Bom Ano para todos voçês!



segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Espera aos Javalis - Quem é que queria um leitão?

2018 08 23 - Espera em Casal Valentão, Vale da Serra

Pois é desta vez vim fazer uma espera fortuita, aproveitando a possibilidade de passar em Pedrógão durante a semana, mas sabendo que não podia demorar-me já que no outro dia era dia de trabalho e de levantar bem cedo.

Consigo chegar ainda antes do lusco-fusco e preparo todo o material de seguida, o vento com alguma rajadas fortes não dava confiança e a ideia de abandonar o posto ainda mais cedo do que havia planeado assaltava-me à memória.




Apesar de tudo lá fui resistindo e cerca das 23h entra um pequeno porquito, comeu..., deixei o fugir..., lá voltou...e já em cima das 23:15h, e a pensar no dia seguinte, decido carregar no gatilho... 

É certo que era um porquito, para o "forno", mas também o limite para abandonar a espera.

Por outro lado... lembrava-me de alguém que há algum tempo pedia um leitão.

O tiro saiu mesmo muito bem colocado e o porquito não saiu do sitio.



Agora falta só marcar o petisco!

Grande abraço amigos,

Luis Simões

*E já vão 63 cobrados na Serra d`Aire.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Último fim de semana de Caça aos Tordos

(2018 02 17 - sábado)


Aproveitando a possibilidade de Caçar ao sábado e poder receber o meu amigo Daniel Gomes nesta data combinamos mais uma manhã aos Tordos.




Um bom convivio, neste dia em casa dos meus pais, e contanto com a família completa, incluindo todos os meus sobrinhos! 




Um dia de amanhecer "enovoado" e ameaçar chuva, como costumo dizer mesmo muito "tordeiro", e que se tornou de facto numa jornada de tordos magnífica, ainda que com muitos tordos altos a partir do meio da manhã, assim que o "tempo" começou a levantar, com inúmeros bandos de grande dimensão já de passagem a sua maioria em direcção a norte.


Mais um excelente recordação!






(2018 02 18 - domingo)


Para "fecho de época" havia convidado ainda o Luís Carvalho e o seu Pai (o Sr. Zé), e combinado com mais alguns amigos uma jornada conjunta para "despedida" dos tordos.


As condições meteorológicas de Domingo já pouco tiveram a ver com as de sábado (véspera). Céu completamente estrelado, ameno de temperatura, e o dia a amanhecer limpo, a fazer adivinhar menos tordos e altos - e não enganou.


(Um grande grupo e de enorme boa disposição!)   


(Almoço no restaurante "A ver vamos" em Pedrógão) 


 ("Torneio" de Sueca para a sossega, mas apenas para profissionais das cartas!)


Para o ano hà mais amigos!
Agora ficam todas estas boas recordações a "sustentarem-nos" até lá.


Grande abraço,

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Tordos em Vale da Serra II

(2018 02 11)


À semelhança do fim de semana anterior, também neste fim de semana havia combinado com alguns amigos a vinda já habitual a Pedrógão d`Aire, encontro que vou mantendo dentro da "possibilidade" dos convites de sócio para Caça aos Tordos.


Neste Domingo, contando também com a presença dos meus conterrâneos e amigos, José Pereira e Humberto Felicissimo recebemos os meus amigos de Dois Portos, o Carlos Ferreira, o Joaquim Belchior (que  este ano optou por já não caçar), o Luís Caixas, o Sr. Joaquim Manuel (um "coelheiro" que visitou Pedrogão pela primeira vez, e para caçar aos tordos!), e o amigo Arménio Jorge de Olival/Ourém.


Desta feita, e apesar de se ter caçado aos tordos na zona de caça também de véspera (o que não foi o meu caso devido a outro compromisso), e não ter havido fartura, decidimos mais uma vez pelos Arrifes d`Aire, para "levar" os convidados e tentar ainda assim um local com alguns pássaros.









O tempo aberto e um pouco ventoso da véspera virou a nublado e a ameaçar chuva desde a a madrugada de Domingo e a verdade é que trouxe-nos uma boa manhã de tordos. Ainda que um pouco altos, não tinha visto este ano tantos bandos e tal dimensão (bandos de passagem com 20,30, 40, até 50 passáros!).


Pois, nesses tiros altos, o Caça 32 da Sulbeja, em chumbo 7 deixa claro porque é um dos melhores tiros no mercado, indo buscar muitos tordos a boa altura. 


Como é de esperar todo o grupo deu uns "tirinhos" bons, e matamos só o que conseguimos... Caçar ali naquele terreno pedrogoso, de mato, e escassas abertas, deixa claro o papel fundamental dos cães de cobro. 


E quem os tem, é verdade que tira vantagem. 
A minha epagneul breton femea, Bolota, já nao faz surpresa cumprindo na perfeição desde a época passada. A Nolita de Pedrogão d`Aire (sua filha e do Lobito de Pedrógão d`Aire) que iniciei hà um par de jornadas começa já a disputar com ela alguns cobros, não se deixando ficar atrás.




Para o almoço havíamos combinado com mais alguns amigos que caçariam numa zona de caça adjacente em almoçarmos todos juntos (o André Jacinto, Luis, Armando Bento). E assim foi, tornando-se num convivio mais alargado e que sempre nos agrada. 


Agora fica mesmo a despedida dos tordos para o proximo fim de semana!


Grande abraço amigos, é sempre um prazer rever-vos e ter vos cá,
espero que para o ano consigamos repetir, de preferência com mais tordos e com a mesma boa disposição,




quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Espera aos javalis em Casal Valentão (Vale da Serra/Pedrógão d`Aire)

(02/01/2018)

Casal Valentão é um "recanto de caça" que faz parte dos meus "Caçadeiros" preferidos hà largos anos. Perdizes, coelhos, tordos, galinholas, raposas, e javalis são as espécies que por ali abundam, em estado puro, selvagens, em relativa abundância, mas sempre (muito) dificeis de caçar!

Por estes dias e aproveitando uns sempre escassos dias de férias, decidi realizar uma espera no final do período de lua (noite de lua cheia), por forma a tirar partido da maior luminosidade. Não fazia esperas desde Julho, há seis meses portanto, quando neste mesmo local havia morto um navalheirito, e sentia de facto saudades da Serra, e de o voltar a fazer.

No entanto, a paisagem e as condições agora são muito diferentes mesmo. É o Inverno no seu auge. Chegado ao dia, o céu estava muito carregado de cinzento por ali, embora uma noite calma de vento, relativamente amena em termos de temperatura, ...e a prometer alguma chuva. Ainda assim, o cevador estava bem frequentado, e decido arriscar.

(A aldeia de Vale da Serra, entre a Serra e o Arrife, observada já noite feita do local onde me encontro)

A noite cai logo após as 17:00h, e cerca das 21:30h já depois de sentir os porcos ao redor desde hà um par de horas, entra finalmente uma vara, com talvez mais de uma dúzia de animais. Depois de "limparem" literalmente um dos pontos de comida, sem que conseguisse ver ou identificar com definição suficiente qualquer animal, chegam-se por fim para um outro ponto de comida mais próximo de mim. Identifico os vultos de dois animais de maior porte, entre os quais um deles com características que me pareceram mais próximas de um navalheiro.

Nesse momento, a nebulosidade estava baixa e via de facto com muita dificuldade. Imaginava que após "limparem" também a comida que estava mais próxima de mim perderia a oportunidade de atirar e por isso decido, ainda que não nas melhores condições "segurar" o maior animal, e que parecia poder ser um "candidato" a navalheiro. 

A muito custo consigo colocar-lhe em cima o reticulo não iluminado da 3x10-56, o seu focinho branco servia-me de guia, inspiro fundo e primo o gatilho com suavidade... segue-se o habitual, BUMMM!... e o reboliço de porcos pelo mato, recarrego com rapidez, procurando não fazer muito barulho. Avisto finalmente o cevador à minha frente, agora vazio, ..., com o sangue a saltar-me nas veias, mas com a confiança de que o mato "esconderia" aquele porco, ferido de morte... embora só o pudesse ver depois de descer. Uma vez que era muito cedo, decido esperar mais um pouco, e continuando a sentir os porcos por ali, fui-me deixando ficar até já próximo da meia-noite quando decido terminar a espera.

Arrumo a "torgia", descarrego, coloco a já velhinha CZ 550 no saco e desço do meu posto. Chegado ao local dou conta do nevoeiro e da baixa visibilidade mesmo ao nível do solo. Identifico apenas 3 gotinhas de sangue e penso para mim que posso ter um problema... que é pistear aquele animal naquelas condições de baixa visibilidade, humidade,..., e possivelmente com um ferimento que lhe permitiria andar ainda boa distância. Bem, ..., lá começo a pistear, e com paragem aqui, paragem acolá,..., lá vou progredindo... sobre o fraco rasto de sangue.

Sempre com cuidado, apenas já próximo da 01:00h dou com um porco de boas dimensões e que no primeiro impacto me parece um Navalheiro... mas não era! Era mesmo uma fêmea de grandes dimensões (da ordem dos 70-80 kg

 (Após a longa caminhada na incerteza lá estava finalmente um bicho de grandes dimensões) 


(Apesar das navalhitas expostas, era mesmo um porca de bom porte!)

Depois do alivio de a encontrar dei conta que dada a hora e localização, teria outro problema ainda maior..., chegar com ela à carrinha, sozinho. E esse sim foi um problema que "doeu"... durante quase uma hora!

(lacei a bicha pelo focinho e tentei fazer "slide" com ela, mas a muita pedra, mato e lama não ajudaram)

(mas a tarefa tinha de ser acabada e lá fui descansando e fazendo lances sucessivos até a conseguir finalmente carregar)


(Mais uma história da bem eficaz CZ 550, Cal. 30.06 Springfield)


Chegado a casa já sobre as 02:00h, consegui ainda a ajuda preciosa do meu amigo José Pereira, que acedeu a esfolar e amanhar-me a "porquita" na manhã seguinte. Já que eu tinha um compromisso logo pela manhã, e estava exausto para o fazer, sozinho, de seguida. E assim foi. Uff!

(-Mais uma vez obrigado Zé! Fico a dever-te mais uma, a ti e ao teu pai que também mais uma vez já lá foi partir a carne). 

Caçar por ali continua a ser uma paixão enorme, e estas histórias deixam-me sempre o desejo de voltar logo que possa.

Grande abraço amigos,
mais um início de ano a "prometer".

Bom ano para voçês!

Luís Simões


*Com este javali atinjo 62 javalis cobrados na Serra d`Aire.